CIDADE DE MOEMA - O AUTOR E SUA TERRA NATAL

Meu nome é Tarcísio e nasci em Moema, aos 26 de junho de 1949. Em 1950, com menos de um ano de idade, fui-me embora com a minha família, que sumiu-se na poeira da rodovia, para Uberaba.

Vivemos lá durante doze anos. Em 1962, mudamo-nos para São Paulo, onde vivemos até hoje. Moema, nunca mais. Mas não conseguia esquecer. Cresci ouvindo de minha mãe as histórias de Moema e de seu bondoso povo. Aos quinze anos, já em São Paulo, fiz-lhe uma tentativa de poesia:

Todos cantam sua terra,

eu não sei cantar a minha...

migrei bebê.

O pouco que dela sei,

foi minha mãe quem contou;

o pouco que dela herdei,

foi minha mãe quem plantou.

Sei que não é enorme;

MOEMA é o nome que sei,

sei que quando ela dorme,

vêm-me ruas que sonhei!

Todos cantam sua terra,

eu não sei cantar a minha...

migrei bebê.

O pouco que dela sei,

os meus instintos contaram;

do pouco que dela herdei,

meus sentimentos brotaram!

Não sei se é a maior

e, tampouco, sei se sei;

sei que sinto um amor,

um amor que precisei!

Todos cantam sua terra,

TAMBÉM VOU CANTAR A MINHA!

- Moema,

um amor que não vi,

mas sinto.

E senti muito quando, procurando conhecer mais alguma coisa de minha cidade, fui à Biblioteca Municipal de São Paulo (Mário de Andrade) onde, tudo que pude encontrar foi o pequeno texto contido na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros editada em 1957. Desde aquela tarde cinzenta, comprometi-me comigo mesmo de, algum dia, iniciar um levantamento histórico da minha querida e desconhecida cidade.

Em 1983, durante as férias de julho, fui conhecer a minha Doce terra. As suas ruas, por incrível que pareça, eram do mesmo jeitinho que sempre as vira em meus sonhos infantis. Fui ao cemitério municipal onde, 1948, fora enterrado o meu pai. Depois, saí pelos cerrados e pude conversar com cada planta silvestre, em cujas flores via, em cada uma delas, um pouco do meu velho pai que, a esta altura, já há muito tempo nelas se transformara. Fiquei conhecendo o meu querido padrinho de batismo José Evaristo de Lacerda e a minha bondosa madrinha Lourdes. Depois, acabadas as férias, voltei para o cinzento de minha melancolia em meio à fumaça de São Paulo.

Somente em julho de 1985, pude voltar a Moema. Desta feita, pude encontrar um menino de doze anos, do qual a minha mãe sempre falou. Um menino queimado do sol e já com os cabelos um pouco grisalhos. Pudera! muitos anos se haviam passado desde que fora o meu padrinho de crisma.

Meu padrinho Rafael Bernardes Ferreira, então, Prefeito de Moema. Ele entusiasmou-se e entusiasmou-me, não só pelo encontro do padrinho e do afilhado, mas também pela idéia de se escrever um histórico de Moema, o que, também a ele, há muito tempo preocupava. Deu-me todo o apoio para que pudesse encetar as primeiras pesquisas. Depois, juntamente com o professor Fernando Cardoso, entrevistamos muitas pessoas vividas de Moema e percorremos as cidades de Bom Despacho, Santo Antônio do Monte e Belo Horizonte a procura de informações e documentos para, numa primeira fase, iniciarmos os estudos.

Descoberta a principal fonte de informação, qual seja, o Arquivo Judiciário de Pitangui, pudemos obter as informações necessárias para poder terminar este modesto livrinho.

Assim, ofereço este trabalho, através da prefeitura municipal, ao povo de Moema. Ofereço-o, porém não como um produto acabado - longe disto - ofereço-o como um enzima para fermentar o interesse de toda a população no sentido de, não apenas levantar e conhecer a nossa História, mas também, de cultivá-la, amá-la e ensiná-la aos filhos.

MOEMA, 11 de agosto de 1987

TJMARTINS

Apresento, agora, a SEGUNDA EDIÇÃO ampliada e revisada do livro "Moema - As origens do Povoado Doce" a todos os mineiros do Centro-Oeste, do Triângulo, Sudoeste e Sul de Minas, bem como, a todos os paulistas no Leste e Nordeste do Estado de São Paulo.

SÃO PAULO, 03 de setembro de 2001

TJMARTINS

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