REVERENCIA Á MEMÓRIA DOS ASSOCIADOS
DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE MINAS GERAIS

Marco Aurélio Baggio- orador oficial do I.H.G.M.G.
26 de março de 2011

Em 16 de maio de 2010, faleceu Wilson ad-Vincula Veado, aos 89 anos. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, de 1994 a 1996, foi “um ser extraordinário”, na definição de seu primo Virgilio de Castro Veado.
Nascido em Entre Rios de Minas, em 11 de novembro de 1918, foi casado com Dona Luísa Ventura Veado, com quem teve três filhos:  Ricardo Wagner, Carlos Weber e Maria Luísa.
Seu currículo é vastíssimo. Destacou-se como historiador militar, como propugnador do Esperanto, como cultor do tupi-guarani.
Escreveu sobre a FEB na Campanha da Itália. Voluntário, foi incluído no 6º escalão de combate da FEB. A 2ª Guerra Mundial cessou antes dele embarcar.
Teve expressiva participação pioneira como radialista e como jornalista nos Diários Associados, nas décadas de 40 a 70.
Desenvolveu atividades educacionais por todo o interior mineiro e em Belo Horizonte, ao lado de suas atividades profissionais como juiz. Tornou- se desembargador de justiça.
Foi membro de dezenas de instituições culturais no Brasil e no exterior. Maçom. Cavaleiro Comendador da Ordem Soberana dos Cavaleiros do Templo de Jerusalém.
Publicou mais de uma centena de artigos sobre temas cívicos, militares, de esperanto e jurídicos, demonstrando a abrangência de seu interesse e sua enorme cultura cívica.
Publicou cerca de 38 livros. Autor de renomados livros de direito, ainda hoje referenciados.
Conferencista requestrado, orador brilhante, proferiu uma centena de discursos e conferências por todo o Hinterland mineiro.
Heraldista, desenhou nosso brasão.
De Wilson Veado pode-se dizer que foi um atuante homem cívico, que nos legou exemplo e obra humanística e cultural expressiva.
As nuvens podem esconder uma estrela, mas as nuvens passam, a estrela permanece e refulge. O desembargador Wilson Veado teve uma vida plena, fecunda e nos deixa seu exemplo de honradez, de dignidade e de bom companheirismo.

Em 8 de junho de 2010, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais perdeu, súbito, um de seus membros mais queridos.
Athos Vieira de Andrade nasceu em Itanhomi, em 10 de novembro de 1928. Foi casado com Dona Amélia Spinola de Andrade.
Bacharel em Direito e em Ciências Sociais. Foi educador, exercendo intensa atividade nos colégios presbiterianos, chegando a presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie e Reitor da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Athos foi educador concernido. Exerceu funções públicas como Deputado Estadual por 4 legislaturas. Representou o Governo de Minas em Brasília, de 05.09.75 a 18.06.83, durante os mandatos dos Governadores Aureliano Chaves, Ozanam Coelho, Francelino Pereira e Tancredo Neves.
Foi presidente da Orquestra Sinfônica Mineira em 1965.
Viajou a Cuba em 1961 e publicou seu livro “Cuba, Estopim de Mundo”, no qual, pioneiramente, desmistificou a revolução dos irmãos Castro.
Seus títulos honoríficos e homenagens contam-se para mais de uma centena.
Ativo membro da Igreja Presbiteriana do Brasil,  onde ocupou os mais elevados cargos. Entre eles, Presidente do Sínodo de Belo Horizonte e Membro do Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Foi Grão Mestre Ad Vitam do Grande Oriente de Minas Gerais, Membro Efetivo do Supremo Conselho do Grau 33 do Estado de Minas Gerais. Maçom de escol, recebeu dezenas de láureas e de homenagens maçônicas.
Seu livro “O Evangelho e a Maçonaria” é um tratado ilustre de oportuna coalizão entre estas duas elevadas vertentes espirituais.
Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais em 2000, onde participou sempre com fidalguia e bom humor.
Athos cativava a todos nós. Com seu bom humor e sua enorme figura amiga e bondosa. Sua memória é imperecível.
Athos sabia que o homem é um ser consciente de sua própria morte, já posta em edital desde o dia de nosso nascimento. Sabia ele também que a natureza é nossa inimiga extrema e o único recurso de que dispomos é sermos bondosos uns com os outros.

Nascido em Teófilo Otoni em 30 de novembro de 1919, Serafim Ângelo da Silva Pereira faleceu em de 18 de setembro de 2010.
Casado com Dona Olga Barbosa da Silva Pereira, teve o casal oito filhos e dezessete netos.
Residindo em Itambacuri desde criança, tornou-se ruralista já em 1940, fundou firma madeireira e fundou a Cooperativa de Produtores Rurais de Itambacuri – COPRIL.
Vereador, Leonino, Vicentino, foi funcionário público da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, lotado na Coletoria Estadual de Itambacuri, onde se aposentou.
Publicou os três valiosos volumes de “Itambacuri e sua História”, onde resgata a memória regional de sua terra e de sua gente.
Serafim Ângelo sempre foi presente às atividades do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.
A nós, sobreviventes dependurados ainda na Árvore da Vida, cabe honrar-nos pelo nosso tão correto e fecundo associado. Sim, pois que é de sonhos e de justos anseios que o Homem Bom mistura-se com os fortuitos acontecimentos e os fatos de sua circunstância de vida, para ir  construindo sua obra e sua trajetória, em puro enlevo e mãos de bondade.
Serafim Ângelo, dotado de qualidades superores, sabia que nossa vida  é uma sombra que passa, e de nosso fim não há retorno, pois está selado. Homem algum há de retornar. Se no palco da vida os papéis se diferem, o último ato do drama é sempre igual para todos. A morte é o grande nivelador comunista de todos nós. Mas sua memória e seu legado, Serafim, persistirá, com carinho e estima entre nós.

Foi em 26 de outubro de 2010, recebemos a infausta notícia do passamento de nosso querido e ilustre Presidente Emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Doutor Professor, Acadêmico e homem publico ilibado, Miguel Augusto Gonçalves de Souza. Este foi o seu dia de alta tarefa. Ocupava ele há três meses, a presidência da centenária Academia Mineira de Letras, sucedendo ao presidente Murilo Badaró.
De nobre estirpe de família de Itaúna, Miguel Augusto cedo se destacou como privilegiado auxiliar do Governador Magalhães Pinto, tendo exercido com brilho e lealdade, cargos de Secretário de Estado e Coordenação Política entre agosto de 1965 a fevereiro de 1966. Secretário de Estado da Fazenda de Minas Gerais, de 4 de maio de 1964 a 1º de julho de 1965. Foi cumulativamente secretário do Interior e Justiça nesse período.
Presidente do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais – BDMG –, de 1963 a maio de 1964.  Presidente da Associação Comercial de Minas Gerais, de janeiro de 1963 a janeiro de 1965.
Diretor-Presidente do Banco de Crédito Real de Minas Gerais, entre 23 de abril de 1975 a 24 de abril de 1979.
Diretor Presidente da Fiat Automóveis SA., de 5 de maio de 1979 a 30 de abril de 1983.
Diretor-Presidente da Aço Minas Gerais – Açominas, de 27 de abril de 1984 a 7 de maio de 1985.
Foi ainda presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de Minas Gerais, do Conselho Econômico da Federação das Indústrias de Minas Gerais, do Rotary Club de Belo Horizonte, do Instituto Brasileiro de Siderurgia – IBS -, com sede no Rio de Janeiro; do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de Minas Gerais.
Presidente do nosso Instituto Histórico e Geográfico no período de 1998 a 2001,  onde realizou gestão  profícua e modernizadora..
Entre inúmeras atividades culturais, foi fundador, mantenedor e benemérito da Universidade de Itaúna, seu maior galardão e seu mais justo orgulho.
Escreveu “História de Itaúna” em 2 volumes, 1986.
Marques de Queluz e sua época”, em 1988.
Seu livro de pesquisa “O descobrimento e a colonização portuguesa no Brasil”, possui caráter definitivo, como extensa e concernida pesquisa e relato desassombrado da trajetória da História do Brasil.
Durante anos, participou como ativo membro e vice-presidente da Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira n° 5.
Deixou no prelo sua ciclópica e muito pessoal obra:
O contragolpe de 31 de março de 1964.
Neste livro, o Doutor Miguel Augusto revela dados e fatos que testemunhou, ao arrepio dos acontecimentos.
Doutor Miguel Augusto recebeu dezenas das mais expressivas láureas e condecorações mineiras e brasileiras.

Do chefe, do professor e do amigo, guardo comigo a inteireza dele ser homem de mansa lei, coração tão branco e grosso de bom, que mesmo pessoa muito alegre ou muito triste gostava de poder conversar  e  de conviver com ele.
 Cavalheiro, o Presidente Miguel Augusto a\ mim outorgou minha primeira Medalha Santos Dumont. Inesquecível.
Por vezes, confidenciávamos sobre Juscelino Kubitschek, historia de Minas e do Brasil, também sobre a Academia Mineira de Letras.
Descobrimos, ambos, pertencer á grei dos incrédulos, aqueles  que aspiram a uma transcendência laica, secular.
Tudo tem um tempo de transcurso, é certo.  A inexorável ceifadeira vitimou  Miguel Augusto com uma renitente anemia perniciosa. Foi assim que Minas e o Brasil, ao perde-lo, nos obrigou a despedir, já com saudade, deste  raro homem de inteligência privilegiada, dotado de acurado senso de cidadania.
Ele sabia que viver nos corações e na memória dos que deixamos atrás de nós é a única transcendência laica possível.

Senhor Presidente Jorge Lasmar, prezados amigos e associados do I.H.G.M.G., cumpre-se o dever de reverenciar os amigos e predecessores que se foram.
A morte é o supremo absurdo e o mais espantoso escândalo sobre a face do planeta. A última e suprema transformação pela qual passamos. Desguarnecidos e desamparados, postamos estarrecidos diante da finitude da vida. As palavras, os gestos e as cerimônias fúnebres são tradicionais porém escassos e insuficientes recursos que dispomos para postarmo-nos, reverentes a ela, escoteira guardiã e mestra severa de nossas vidas. Eu, de minha parte,  como Próspero em Cimbeline, de cada cento de pensamentos, um versa  sobre o túmulo.
 Nós que aqui ficamos, concordamos com Shakespeare que a existência terrena mais penosa e repugnante... que a idade e as doenças possam tornar mais grave, é um paraíso em confronto com tudo que tememos da morte.
 Medida por Medida. Cláudio III.1

Uma prece,uma graça,
Pelo pranto, com espanto
E a saudade consentida,
Amém!

Resta-nos proferir uma prece em memória de Wilson, de Athos, de Serafim e de Miguel Augusto.
AVE!