1 – O Ataque feito em 1746 ao palanque e trincheiras dos negros, ocorreu na região de Formiga. Estivemos lá.

Inácio Correia Pamplona, com sua espalhafatosa expedição, passou no local acima indicado como "Fazenda do Quilombo", no entanto, NÃO lhe atribuiu esse nome: "Em 26.08.1769, a comitiva andou 4 léguas: saiu do "capão de mato", passou pelo Pouso Alegre, seguindo rumo "Oés-Sudoeste", passou pela Fazenda da Formiga, chegando à Fazenda de Antônio José, onde se aquartelou nessa noite. Revista ABN, 1988, Pg. 99".

Sem dúvida que se tratava de Antônio José da Silva, que em 01.01.1765, requereu sesmaria a Luiz Diogo Lobo da Silva, na Fazenda do Quilombo, em Formiga. Vide Achegas à História do Oeste de Minas, do Dr. Leopoldo Correa, 1993, pg.69.

Ora, Pamplona estava indo exatamente para simular mais uma "conquista" aos quilombos atacados por Bartolomeu Bueno do Prado em 1759/1760. Visitou e se referiu (em seu diário) a todos os locais de quilombo pelos quais passou com sua expedição. Aqui, no entanto, evitou se referir ao nome correto, à toponímia já consagrada, do local: QUILOMBO.

Eu não tenho dúvida de que o que aconteceu em Formiga e em Cristais foi mesmo algo tão hediondo que as autoridades fizeram tudo para que fosse esquecido; apagado. No entanto, a toponímia ficou marcada para sempre com a palavra QUILOMBO.

Outro lugar interessante na toponímia de Formiga é aquele, ao norte da Fazenda do Quilombo, com o nome BALAS. Na verdade, chama-se Morro das Balas. Estivemos lá em meados de julho/2001. Clique a foto acima.

Local esquisito. Quando lá chegamos, havia um urubu pousado num dos braços do cruzeiro, como se fosse uma sentinela. Só voou quando nos viu bem de perto. Como se vê, sempre há um cruzeiro ou uma capela nos locais dos massacres.

Ao lado direito do cercado acima, existe um buraco que deve ter sido aberto para se obter terra para a massa de barro e/ou cimento utilizada para levantar o cercado em volta do cruzeiro. Dentro do cercado é tudo calçado com pedras ou lajes. Haverá ossadas sob as lajes?

Em frente ao cercado, principalmente do seu lado direito, chamou-me a atenção umas pedras redondas. Muito redondas; algumas, esferas perfeitas. Mesmo as imperfeitas, o eram porque pareciam ter agregado outros materiais.

O peso daquelas bolotas também não era peso de pedra. Sem dúvida, era peso de ferro, ou de chumbo. A minha tese é a de que essas bolotas não são naturais da região. Podem ter sido desenterradas juntamente com a terra que se utilizou para fazer massa de barro para erguer o cercado de blocos e tijolos acima. (?).

Na opinião do Sr. Juca (na foto acima), o nome BALAS poderia ser em razão dessas pedras que, a seu ver, têm o formato de balas de chupar.

Depois, lembrou-se de que alguém lhe teria dito que o nome adviera do fato de uns boiadeiros, certa feita, terem trocado tiros nesse morro. MORRO DAS BALAS... O fato é que não encontrei ninguém que soubesse explicar a razão desse nome.

Como se pode ver na fotografia seguinte, o Morro das Balas – hoje, pelo menos – lembra muito bem um "Palanque".

"(...) recebi carta do Comandante do ditto Corpo, emedá parte dehaver atacado hú pequeno quilombo decento e tantos negros, q. se defenderão no palanque com resolução grande, may de vinte e quatro horas, de sorte q. foi precizo atacallos com fogo, e dar terceyro assálto pª render huma forma de trincheyra a que se recolherão depois de destruido o primerº palanque, ficando vinte e tantos mortos, sesenta e tantos presos, e grande numº de negras, e que sahirão feridos quinze pessoas da tropa com a qual marchava aatacar os mais quilombos de que tinha notícia; (...)".APM, SC 45, fl. 69.

"Orçamento que acompanha cartas às Câmaras. Relação dos gêneros que são precisos para a expedição:

Armas por conta de El Rei . . . . . . . . .

Pólvora que dá El Rei . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Balas que dá El Rei . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Pedras. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .400

Granadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

22 arrobas de chumbo grosso a 4 oitavas- 88

(...)". Avulsos APM e SCAPM 84, PG. 109.

Obs.: Esta foi só a primeira remessa.

Como se vê acima, num prazo de 24 horas, os atacantes poderiam ter despejado, afora as balas e granadas, 22 arrobas de chumbo grosso, ou sejam, cerca de 330 quilos de chumbo grosso sobre o "palanque" dos quilombolas.

Submetida ao fogo de um maçarico a gás, em pouco tempo uma das bolas deixou vazar metal derretido de seu interior.

Pedras, NÃO são. O metal interno derrete ao fogo de um maçarico.

A questão, agora, está nas mãos dos colegas pesquisadores de Formiga, Professora Rita Salazar e Professor José Ivo. O prefeito da cidade, Sr. Juarez Eufrásio de Carvalho, gostou da novidade e prometeu total apoio à continuidade dos trabalhos de avaliação e confirmação da descoberta. De uma forma ou de outra, as batalhas preliminares de 1746, antes do extermínio da Povoação do Ambrósio, em Cristais-MG, sem dúvida, ocorreram mesmo na região de Formiga.

SITUAÇÃO APÓS JULHO DE 2003

Como era de se esperar de políticos, a Prefeitura de Formiga nunca mais voltou ao assunto.

No entanto, os amigos do site formigaoline descobriram que se trata de um minério chamado marcassita e pirita limonitizada globulares – Fe2O3.nH2O” comum da região.

Pedi a eles que continuem a pesquisar para saber:

1 – Se os indícios minerais do Morro das Balas confirmam que o minério ali encontrado é mesmo natural ou teria sido levado para lá.

2 – Da onde e desde quando teriam surgido os nomes Luanda, Buraco dos Negros, e Quilombo dessa região ao norte de Formiga?

Em 24.07.2003 estivemos em Formiga e entrevistamos uma pessoa cujo pai foi quem fez e colocou no Morro das Balas o atual cruzeiro, em substituição a um anterior que já tinha muitos anos... clique aqui e leia o depoimento.

A investigação continua:

Pedimos a quem souber mais do Morro das Balas ou dos outros locais acima registrados que nos escrevam contando o que sabem.

Mensagem do Prof. Anísio

Cláudio Rios da Fonseca, clique e leia

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